erro e tentativa
ou a falta deles
Nós somos paralisados… por nós mesmos. Pelo medo de ser visto tentando. Principalmente quando erramos porque odiamos não acertar de primeira. Queremos ser bons logo de cara, surpreender já na primeira tentativa. Mas a verdade é que não gostamos de ser iniciantes, porque nos cobramos uma perfeição que simplesmente não existe.
E quando a gente vê o outro tentando, damos todo o apoio: "continua!", "vai dar certo!", "seja paciente!". Mas, quando se trata de nós mesmos, colocamos uma pressão e uma cobrança extrema. Criamos barreiras como se fôssemos cones de trânsito no meio de uma avenida, deixando os carros paralisados. Ficamos presos nesse lugar, tomados pelo medo de tentar, de errar, de falhar. Como se errar não fosse uma possibilidade. Como se todas as nossas decisões fossem definitivas.
Mas a verdade é que poucas decisões são para sempre.
Cheguei a essa reflexão quando vi alguém dizendo que estava entrando na faculdade pela primeira vez, aos 42 anos. E essa pessoa disse que se inspirou na Fernanda Torres, que tá brilhando agora, aos 59 anos. Depois de uma vida de experiências ela tá ali, vivendo outra fase, se reinventando e sendo incrível.

Isso me levou a outra camada de pensamento: a urgência que colocamos em tudo. Além de querer fazer tudo certo, queremos ser extremamente bem-sucedidos, e rápido. Não queremos mais passar pelo processo. O mundo impôs essa pressa de concretizar tudo num tempo irreal. E, com isso, deixamos de respeitar nosso próprio ritmo de aprendizagem, absorção e amadurecimento. A gente só quer “chegar lá”.
Só queremos ser bons. Ter sucesso. Ganhar dinheiro. Rápido, sem erros.
Mas isso é uma ilusão. Esse caminho pode até existir para um grupo muito seleto de pessoas. Mas nós, 99,9% das pessoas, não fazemos parte desse grupo. E tá tudo bem. Que a gente se permita tentar (e errar) mais.
Resolvi gravar um áudio para mim mesma, 4 minutos e 51 segundos, descascando o pensamento como uma laranja. Ainda não consegui encontrar uma maneira de concluir esse raciocínio, afinal, este também é um episódio de erro e tentativa em ser alguém melhor e mais gentil comigo mesma. E eu seguirei em busca dessa resposta.
Um café e uma pausa para começar bem o dia.
Escrevo para lembrar e para não esquecer. Escrevo para sentir de novo. Obrigada por estar aqui comigo. Nos vemos na próxima edição! <3



tenho uma edição que fala sobre isso! temos medo de tentar, por que é um momento de vulnerabilidade... e achamos isso vergonhoso, principalmente porque podemos falhar!